Sentenças de Bistami

Sentenças de Bistami

birmingham museums trust wKlHsooRVbg unsplash

 

(Trechos de ‘Uma luz que cativa’, com ênfase em “fana” – a extinção do eu)

 

* Allah me inspirou o completo esquecimento de meu eu.

* Tenho amado a Allah e rejeitado meu eu.

* Abandonei o eu e fui sozinho até Allah.

* Aquele em quem o eu triunfa, estará entre os condenados.

* Quem retorna à morada do eu, não está disposto a invocar Seus nomes.

* Quando perco o eu, sou eleito.

* Quando conheci o domínio da Unidade, repudiei o eu.

* Até quando este eu se interporá entre Tu e eu? Rogo-te que dissolvas meu eu.

* Contração do coração na dilatação do eu. Dilatação do coração na contração do eu.

* Quando conhece os defeitos de seu eu, alcança o limite.

* Reduz tua abundância a nada.

* Pobre asceta! Se conhecesse a insignificância do mundo e o pouco a que renuncia! O genuíno asceta é quem se deixa cativar por Allah.

* Sufismo – a arte de renunciar ao mundo.

* Foge das criaturas e refugia-te Nele.

* Eu sou Ele e continuo em mim – sou Ele e estou nele.

* Na última estação a Verdade me perguntou: Que queres? Respondi: Desejo não querer nada.

* Este mundo é para as pessoas comuns. O mundo mais distante é para os eleitos. Quem quer unir-se aos eleitos, não deve participar neste mundo com as pessoas mundanas.

* Não sejas descuidado, presta atenção, evita a sonolência dos que se divertem.

* Seja constante em Sua invocação (dhikr). Invoca-o, implora Seu socorro.

* Quem pretende alcançar a união precisa praticar o serviço.

* Quem pretende alcançar a união precisa praticar o serviço.

* O conhecimento é ignorância para a essência da Verdade.

* Quem conhece Allah, renuncia a tudo o que pode distrair.

* Os santos de Allah estão ocultos Nele, no véu da intimidade.

* Allah é o Solitário. É o Único em sua unicidade.

* Allah é o primeiro e o último, o aparente e o oculto.

* O sufismo é uma luz resplandecente que cativa aqueles que a vislumbram.

Notas de Louis Massignon sobre Hallaj

Notas de Louis Massignon sobre Hallaj

Louis Massignon livre a passion de HallajPassagens do texto “Vida de Hallaj”, publicado em 1962 na reedição da obra ”La Pasión de Husain ibn Mansur Hallaj”, de 1922

Hallaj foi condenado a morte em Bagdá no ano 922. E permaneceu como um herói lendário. A ampla difusão dos grandes poemas persas formam magnificamente sua fisionomia de santo, de ‘extático deificado’ (místico).
O estudo crítico das fontes autênticas deste tema me permitiu estabelecer que Hallaj havia sido consciente de sua vocação de “pilar místico” e de “mártir espiritual” do Islam. O estudo, realizado no Cairo em 1907, ao mesmo tempo que meu aprendizado do árabe falado e escrito, acabou por convencer-me da veracidade deste testemunho puro, até o sacrifício de si mesmo.
A seção I fixa a vida de Hallaj. A seção II situa a mística de Hallaj. A seção III apresenta a bibliografia relacionada a Hallaj (1415 obras, de 953 autores).
Considerei Hallaj como uma alma consagrada. E não é que o estudo de sua vida, plena e potente, reta e indivisível, me tenha aberto o segredo de seu coração. Na realidade foi ele que sondou o meu…
Apesar da proibição oficial, mantida desde o ano 922 até 1258, de copiar ou vender suas obras, numerosos fragmentos de Hallaj foram conservados por doxógrafos da mística. Se conservaram 6 cartas suas, 69 discursos públicas, seu “Diwan”(poemas), 2 fragmentos em prosa (de um autenticidade excepcional), os “Riwayat” e os “Tawasin” (compilações). Outras obras em prosa foram queimadas, mas textos significativos foram conservadas graças a uma série de comentários críticos (hostis).

Fragmentos de Farid Attar

Fragmentos de Farid Attar

Trechos do cap. 13 da obra “O Livro dos segredos”

Na busca toda uma vida passou
Neste mar naveguei muito…
Todos já foram guias ou seguidores
Ninguém conhece o segredo divino
Cativos somos…
Conhece a Ciência dos Mistérios aquele que conhece os Mistérios
E por essa razão ela segue oculta por um véu
Já deixei de galopar, já que este vale não tem saída
Com as unhas cavei esta mina e queimei minha vida
Nem um instante dormi com o coração saciado
Apenas tive um instante de alento
Toda a vida vivi com o coração sangrando
De mim não fica grande coisa que possa ainda sair de minhas veias
Não haverá luto no mundo por minha morte
E para o meu mal não há remédio
Quem sou? Nada e menos que nada
Ter alívio é não ser
No não ser está o repouso

O Caminho do Peregrino em Nejmedin Kubra

O Caminho do Peregrino em Nejmedin Kubra

Fragmentos dos cap. 1-3 do livro “Fawatih al-jamal wa-fawatih al-jalal” / Manifestações da Beleza e Aromas da Majestade

Deverás saber que Allah é o objeto de qualquer aspiração, e que o aspirante é uma luz que provém Dele. Cada ser humano tem um Espírito que procede Dele. Mas sem dúvida, as pessoas permanecem na cegueira, salvo aquelas que retiram o véu, que não é algo exterior, pois está nelas mesmas. Se não vês nada, é uma carência que somente procede de ti.
O caminho requer austeridade… Mas o esforço que deves realizar depende fundamentalmente do caminho que segue.
O primeiro requer diminuir o alimento de uma maneira progressiva [‘jejum’ das coisas do mundo].
O segundo implica em um tutor, um mestre.
O terceiro é o de Junaid, que se baseia em oito princípios:
– manter a ablução (purificação), guardar o jejum, permanecer em silêncio, persistir no retiro espiritual, perseverar na invocação de Allah (dhikr), cultivar o vínculo interior com o mestre, afastar os pensamentos, abandonar qualquer ato de oposição a Allah.

Se o viajante sente um peso enorme, o peito oprimido, a invocação resulta cansativa, seu coração não está alegre… Quando o viajante se sente leve, calmo, o peito dilatado, o coração alegre e sereno, percebe o fogo ascendente e puro – são as chamas da invocação que se manifestam…
Nosso caminho é o caminho da Alquimia.
Se os oceanos são puros e contêm estrelas ou luzes parecidas as chamas, deverás saber que se trata dos oceanos do conhecimento místico.
Se chover é água que provêm da presença da compaixão para derramar vida sobre a terra dos corações inertes.

(tradução de Jamal al-Murb)

Al-Wird

Al-Wird

صلاة شجرة الاكوان المسماة بالوظيفة
صلاة شجرة الاكوان المسماة بالوظيفة للشيخ محمد المدني القصيبي المديوني

Em árabe clássico, o termo “wird” significa a chegada à água para beber. Ele designa também o bebedor e a quantidade de água que sacia a sede do peregrino. Por extensão semântica, esse termo significa a parte do Corão (ou de outras invocações) que nos é dada como tarefa de leitura.

Se considerado na forma técnica, esse termo designa também o conjunto de suras, litanias e de práticas rituais que o caminhante assume como dever de cumprir regularmente.

Esta prática se refere essencialmente ao Corão, que incita os fiéis a invocar Allah (exaltado seja Ele) contínua e abundantemente. Ela se refere igualmente aos ditos de Sayyidunā Muhammad (que Allah derrame bênçãos e paz sobre ele) que incitou seus Companheiros a repetir determinados dhikr cem vezes.

Nós nos contentaremos com esse hadit relatado por al-Buhārī : “quem quer que diga “ lā ilāha illā Allāh wahdahu lā charīka lahu, lahu -l-mulku wa-lahu al-hamdu wa-huwa ‘alā kulli chay’in qadīr ” [Não existe Deus a não ser Allah! Ele é único e sem consorte! A Ele a soberania! A Ele o louvor! Ele tem poder sobre todas as coisas!] cem vezes por dia receberá o equivalente à recompensa pela libertação de dez escravos. Além disso, cem boas ações serão atribuídas a ele e cem de suas más ações serão anuladas e ele será protegido contra Satã todo o dia até o anoitecer, e ninguém será melhor que ele nessas ações senão aquele que fizer mais”.

Em todas as épocas, os piedosos instalaram os ‘wirds’ para ajudar os discípulos a progredir no caminho da consciência de Allah (exaltado seja Ele), em nome dos quais nós citamos Ibn Sirin, As’d Ibn Ali AL Zanjani, Al-Imam Al-Nawawi, etc.

Quanto a Sayyidī Muhammad al-Madanī (que Allah tenha misericórdia dele), ele recomendava a seus discípulos a recitação da Sura al-Wāqi‘a, uma prece sobre Sayyidunā Muhammad (que Allah derrame bênçãos e paz sobre ele) bem como os versos do Corão (al-ihlās, al-falaq et al-nās). A esses extratos corânicos, se acrescentam cem vezes o istigfār, cem vezes o “ lā ilāha illā Allāh wahdahu lā charīka lahu, lahu -l-mulku wa-lahu al-hamdu wa-huwa ‘alā kulli chay’in qadīr ” , cem vezes a prece a Sayyiduna Muhammad (que Allah envie bênção e paz a ele), cem vezes yā latīf, cem vezes yā wahhāb e cem vezes “ lā ilāha illā Allāh al-maliku al-Haqqu al-Mubīn “.

Essas invocações são apenas córregos nos quais mergulhamos para saciar nossa sede, purificar nossos corações e aumentar nosso amor para conscientização de nosso estado de “ubūdiyya” [realidade essencial]. “Invocai a Mim, Eu vos invocarei” (Vaca, 152).

tradução de I.Borges – revisão de Jamal al-Murb