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A Vida dos Sufis

Adda Bentounès

segunda-feira 25 de Abril de 2011, por Jamal al-Murb


Na vida, cada um se organiza à sua vontade. Alguns têm uma vida de reis, outros, de comerciantes, de estudantes ou intelectuais. Existe também a vida dos sufis.

Cada sufi é limpo, tanto em seu corpo como em seu coração. Talvez ele não tenha uma veste bonita, mas sempre ele é limpo, apesar da pobreza de suas roupas. Sendo pobre, ele busca sem cessar e sempre procura viver nesse estado. Em uma palavra, ele vive a pureza! Os corações, como os corpos, se contaminam ao contato com coisas sujas. Limpar os corpos é coisa fácil, mas quanto é delicado a purificação do coração. Na verdade, o coração pode ser maculado por uma palavra, um mau pensamento ou uma falsa crença.

O sufi se abstém de toda fala que contamina os corações. Ele evita responder às idéias que machucam os corações, de comer ou de dar de comer o pão do pecado. Então, ele está naturalmente a serviço do bem. Uma pessoa que não possui o bem não pode doá-lo.

Na época em que as calúnias dos reformistas contra o Sheikh Al-Alawi ultrapassam as fronteiras, os discípulos pediram a ele para usar o direito de resposta:

“Sheikh, a lei do talião está no Corão. Ela nos permite tirar o mal com o mal. Nós devemos revidar!

- Sim, respondeu o Sheikh, o Corão nos permite retornar golpe por golpe, mas exatamente golpe por golpe, nada mais. Eu temo muito que, no fogo da ação, vocês dêem mais golpes do que receberam. Se forem para o fim da leitura do verso que lhes foi referido, verão, então, que o Corão diz: “Mas se você é paciente, é melhor para esses que são pacientes” (Sura 16, 126). Se nós formos ao fundo das coisas, não teremos, portanto, o direito de responder ao mal pelo mal”.

Ao observar a vida de um sufi, observamos que ele está em estado de vigilância permanente. Ele vela para não poluir seu coração, nem o de outro. Ele preserva o seu coração acima de tudo, o compara a um dínamo que fornece a luz.

O companheiro de um sufi estava um dia em conversação com um rei de seu país. O monarca o interroga: “Nós lemos nos livros belas coisas sobre a vida dos sufis dos séculos passados. Podemos encontrar um sufi em nossos dias?

- Sim, nós podemos encontrá-lo, Senhor, respondeu o companheiro, porque cada época tem seus sufis.

- Como! Nós podemos encontrá-lo hoje?

- Hoje, Senhor, hoje mesmo, se quiser. Por que hoje também é um tempo de Deus. Eu tenho um Sheikh sufi, eu que vos falo.

- Pegue, então, esta bolsa, dê ao Sheikh para sua zawiya (3) e peça a ele que me visite.

Cheio de alegria, o faquir leva a bolsa a seu Sheikh e diz:

“O sultão manifesta o desejo de vê-lo, Sidi”.

O Sheikh, intrigado e irritado, pergunta de onde vinha aquela bolsa.

“É o sultão que a oferece como presente a vossa zawiya.

- Mas como o sultão tem esse dinheiro? Ele é agricultor, comerciante?”

O discípulo, surpreendido por sentir o Sheikh irritado com o presente, se calou.

- Devolva a ele sua bolsa e não faça mais isto! Saiba que eu não quero ir à casa do sultão e que eu não preciso de sua visita.

O discípulo, embaraçado pela reação de seu mestre, se perguntava como transmitir a recusa do Sheikh ao sultão. Ele encontrou um de seus amigos, embaixador do palácio, e lhe pediu ajuda para sair desse situação.

“Não se preocupe, disse o diplomata. Dê-me a bolsa, eu vou ajeitar isso. Eis o sultão. É verdade, majestade, que vós enviastes esta bolsa ao Sheikh? Pergunta o embaixador.

- Sim, diz o sultão.

- Ah. Vós tivestes sorte! O Sheikh não quis aceitar a bolsa das mãos de seu discípulo. Em vez de receber o dinheiro, ele prefere vos conhecer.

Não perca essa oportunidade, vinde, vamos ver o Sheikh.

- Mas eu não posso visitar o Sheikh com minhas roupas reais, aos olhos de todo mundo...

À noite, eles foram encontrar o Sheikh. Bateram à porta da zawiya.
“Quem é? Pergunta o Sheikh.

- Visitantes, senhor”.

O Sheikh abriu. O sultão ao tocar a mão desliza a bolsa. A noite estava bem escura e o Sheikh não reconheceu nem o sultão, nem a bolsa.

“O que é isso? Pergunta o Sheikh, passando sua mão na mão fina e cuidada do sultão. Oh! Que mão áspera ... o que contém então (na bolsa)?

- É um donativo para ajudar a zawiya, Sheikh.

- Me deixe, disse o Sheikh, eu não posso aceitar a doação de uma mão tão áspera”.

- Ele joga o sultão na rua e fecha imediatamente a porta. Sua pureza de sufi havia sentido rugosa a mão fina que oferecia o fruto do pecado.

Os sufis representam os profetas, não somente por suas falas, mas, sobretudo, por seus atos.

O sufi que busca estar exatamente no bom caminho, quer dizer, em contato com Allah, não pode suportar a separação do Ser amado. Ele prefere morrer a estar separado dele. As honras e as riquezas são como coisas que separam os corações limpos de Allahs. Sim, ele prefere morrer em vez de estar separado. O próprio profeta Mohammed sofreu a provação da separação. Allah interrompeu a revelação durante certo tempo e os idólatras riram dele: Mohammed ficou abandonado pelo seu Allah! O profeta, desesperado por esta separação, foi para o alto de um precipício para colocar fim a seus dias. No momento em que ele ia de jogar não vazio, a revelação voltou:

Pela clareza do dia! ...

Pela noite, quando ela se estende!

Teu Senhor não te abandonou, nem te odiou!

Sim, a vida futura é melhor para você

Que esta aqui.

Teu Senhor logo vai te dar seus dons e tu serás satisfeito.

Ele não te encontrou órfão e te deu refúgio.

Ele te encontrou errante e te guiou. Ele te encontrou pobre e te enriqueceu.

Quanto ao órfão, não o prejudiques.

Quanto ao mendicante, não o afastes.

Quanto às benesses de teu Senhor,

Fale delas. (Corão, Surata 93)

O sufi é aquele que representa a profecia em sua época. Se ele não é o verdadeiro representante, ele pode ser alguém bem instruído, buscando fazer o bem... Mas ele não poderá jamais transmitir a luz da revelação uma vez que não a tem.




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